
O Cristão deve empenhar-se para ser modelo em todo trabalho ao qual se propõe.
Assim, a excelência na vida profissional não deve ser uma busca esporádica para aquele que teve um encontro com Jesus Cristo, tampouco uma opção. Antes, é dever de todo Cristão fazer do seu trabalho uma via de santificação, um meio pelo qual pode aprimorar a si e a outros.
Um trabalho sem sentido certamente não deve fazer parte da vida de um católico que busca viver a sua fé.
Porém, nem todos conseguem fazer do seu ofício uma oportunidade para crescer espiritualmente, seja porque não sabem ou porque ainda não lhes foi despertado essa correta compreensão do que é o trabalho.
Sendo uma coisa ou outra, esse texto vem trazer algumas maneiras de se transformar o trabalho em via de santificação. Continue lendo!
O trabalho seria um castigo?
Muitos de nós crescemos com a ideia de que trabalhar é penoso e que bom mesmo seria se não trabalhássemos nenhum dia de nossas vidas.
Há quem queira ter visto Adão e Eva cara a cara para lhes manifestar toda a sua indignação em terem optado trocar a “vida boa” pelo sustento advindo de muito trabalho.
A partir dessas ideias que brotam de uma não aceitação da realidade e uma idealização de vida perfeita, muitos vivem privados do verdadeiro significado do trabalho.
Porém, um católico não deve viver sob essa reflexão, mas, em Deus, deve encontrar meios de tornar o seu trabalho frutuoso. “Cada um deve poder tirar do trabalho os meios para sustentar-se, a si e aos seus, bem como para prestar serviço à comunidade humana” (CIC § 2428).
Dessa forma, o trabalho tem sim a sua importância. Ele “é a vocação inicial do homem, é uma bênção de Deus, e enganam-se lamentavelmente os que o consideram um castigo”. (Sulco 482)
O trabalho é ainda, e sobretudo, uma atividade redentora, pois, a partir do pecado original, o homem precisou trilhar um caminho de volta para Deus.
É, portanto, os seus esforços humanos para sobreviver um regresso ao Criador, uma expiação do pecado cometido bem como a prova da misericórdia divina. Pois, Deus poderia simplesmente apagar o pecado do homem, mas quis que ele colaborasse desde então com a salvação, aumentando assim seus méritos.
Dessa maneira, é errada a ideia de que o trabalho é algo ruim. Afinal de contas, o próprio Jesus trabalhou, inclusive em um dos ofícios mais desprezados de sua época: carpintaria.
“Trinta e três anos de Jesus!… Trinta foram de silêncio e obscuridade; de submissão e trabalho…” (Sulco 485).
Como ser santo no trabalho secular
Uma esmagadora maioria das pessoas passará a maior parte do tempo de suas vidas em um trabalho secular. Deve ser por isso que se acredita que o trabalho é um empecilho à vida espiritual e a busca da santidade. Mas isso não é verdade!
Pois, basta um olhar à nossa volta, onde quer que estejamos, encontraremos oportunidade de santificação, inclusive no trabalho.
Assim, aqueles que não podem se esquivar de tal atividade na sociedade precisam abraçar as circunstâncias e utilizar-se delas como degraus que conduzem a Deus.
Alguém que nos pede uma ajuda, uma injustiça cometida contra nós, um grande volume de atividades, um colega que tem personalidade difícil de lidar etc. Essas e outras ocasiões podem nos fazer crescer na virtude e consequentemente na intimidade com Deus.
Afinal de contas, o que mais nos custa é o que mais produz santidade em nós.
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Assim, é oferecendo a Deus as dificuldades existentes no trabalho e buscando-o diante dos percalços, que nos aproximamos de uma vida santa.
É bem verdade que atitudes como essas chegam a ser quase heróicas. Deve ser por isso que buscar santificar-se no ambiente de trabalho produz frutos em abundância na alma, em meio a vida secular.
Embora não seja tão simples assim, é possível sorrir para o outro apesar de não querer. É possível ser pontual nos horários e nas atividades quando sequer queria ter levantado da cama. É possível calar diante de uma piada maldosa. Mas essas possibilidades provêm da graça divina.
Portanto, antes de tudo, devemos nos colocar diante de Deus e clamar a sua ação em nossas vidas. Peçamos também que Ele nos ensine, à exemplo dos Santos, a buscar como disse São José Escrivá: “transformar em poesia heróica a prosa de cada dia”.
O trabalho dos sonhos existe?
É comum vermos, em muitos lugares, a ideia de que somente nos realizaremos se trabalharmos naquilo que amamos.
Mas uma verdade seja dita: nem todos poderemos optar por aquilo que gostaríamos de trabalhar, mas não deve ser isso motivo de angústia.
O mercado atual quer nos fazer acreditar que a realização vem através de um trabalho idealizado. Porém,as dificuldades estão presentes em todas as realidades onde se exige um trabalho de nossa parte.
Dessa forma, não podemos alimentar em nós um romantismo acerca do trabalho que nos desinstala da realidade e nos deixa tristes e ansiosos.
Isso não significa que não devemos buscar trabalhar com o que gostamos, mas o trabalho deve servir, acima de tudo, ao outro e não a nós mesmos.
Portanto, que seja o nosso trabalho, antes de tudo, um apostolado e que possamos, através dele, contribuir para um mundo melhor.
