
Falar sobre abertura à vida é, antes de tudo, acreditar na vida como o maior dom que se recebe! Ao mesmo tempo que a capacidade de procriar é mistério, torna-se também óbvio porque enxergamos e contemplamos a beleza da criação em cada pessoa humana.
E sobre abertura à vida, a primeira afirmação que a Igreja faz é que os filhos são dádivas divinas, logo, não são problemas. Porém, ela não nega que existem limites físicos, psíquicos e econômicos que criam barreiras na vida do casal quando se trata de filhos.
Contudo, a fé e a confiança em Deus precedem qualquer razão humana e orientam a família católica no caminho da vida. Compreenda mais sobre esse tema neste post.
A vida é sagrada! Apoiemos a abertura à vida!
A fé católica e consequentemente a Igreja são guiadas pelo Senhor da Vida. Ao longo de mais de dois milênios de história, a Igreja Católica defende a vida humana desde a concepção até a morte natural, dando atenção a cada etapa da existência humana e suas fragilidades.
Assim como a Igreja, cada cristão é convidado a acreditar na fonte suprema da vida que é Deus; a defender a vida humana, objeto da bondade divina, e apoiar a abertura à vida, inclusive daquelas que clamam por socorro porque são vítimas da crueldade de alguns.
Há inúmeros documentos da Igreja que fortalecem a importância da vida e afirmam a posição do Magistério e da Doutrina sobre o tema da vida e da bioética. Vamos citar apenas alguns:
- A encíclica Mater e Magistra de João XXIII enfatiza que “a vida humana é sagrada”, afirmação confirmada no Vaticano II através da constituição Gaudium et spes (1965) e por Paulo VI na Humanae vitae (1968).
- A terceira parte do Catecismo da Igreja Católica (1992) é muito clara ao afirmar que “toda a vida humana, desde o momento da concepção até à morte, é sagrada, porque a pessoa humana foi querida por si mesma e criada à imagem e semelhança do Deus vivo e santo” (& 2319).
- A Congregação para a Doutrina da Fé também se manifestou por diversas vezes sobre o tema da bioética: a instrução Donum vitae (1987) é toda dedicada à proteção do nascituro, com argumentos de ordem moral, jurídica e espiritual.
- Em 2008, a mesma Congregação publicou a instrução Dignitas personae (2008), sobre diversas questões de bioética, retomando os critérios da Donum vitae e atualizando o seu conteúdo à luz das novas problemáticas nesse campo.
Abertura à vida é o mesmo que ter filhos?
Abertura à vida trata-se primeiramente de acreditar e acolher o mistério da criação do homem. Mistério este que não é sinônimo de enigma! Ao contrário, o mistério é uma graça revelada, mas que não se explica totalmente pela razão porque foge ao controle humano, uma vez que é dom de Deus.
Conceber, por exemplo, é um dom maravilhoso. Porém, há pessoas incapazes de conceber naturalmente e nem por isso estão fora do mistério da maternidade e da paternidade. Então, a abertura à vida passa primeiro pela capacidade de acolher a vontade de Deus para si.
Logo, a abertura à vida está ligada à busca pela vida que emana de Deus. E quando o casal abraça o matrimônio, ele se abre à vida entre eles e para aqueles que o Senhor os confiar, tanto espiritualmente como biologicamente.
Isso significa que os filhos não podem ser planejados? Quanto ao planejamento, a Igreja orienta que é lícito planejar os filhos desde que os métodos usados sejam naturais (CIC n. 2370). Ao mesmo tempo, ela orienta a paternidade e maternidade responsáveis, porque cada pessoa é única e tem o direito de viver com dignidade.
“Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10)
Dessa forma, toda vida humana carrega consigo o germe divino! E volta nosso olhar para uma vocação que revela a grandeza de um Deus maravilhoso, que se revelou totalmente em seu Filho Jesus e elevou cada um de nós à condição também de filhos amados.
Assim, a abertura à vida nos coloca diante de uma grande responsabilidade: respeitar e preservar o valor do ser humano, em cada etapa de sua existência, desde a concepção até a morte, passando pelo crescimento à fase idosa.
Quantas pessoas acolhem uma criança, mas rejeitam o idoso; contraem matrimônio, mas não querem filhos; se o filho tem algum problema de saúde, o rejeita e questiona Deus como se essa situação fosse um castigo? No entanto, a Palavra de Deus anuncia a vida plena para todos!
Portanto, a abertura à vida não é apenas uma questão de quantidade, mas de zelo, respeito e responsabilidade diante de Deus por cada pessoa humana. E se o Senhor conceder filhos, que esses sejam bem-vindos, como um presente que guarda muitos tesouros.
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